Superfinal com padrão europeu entre Flamengo e Palmeiras deu gosto
Superfinal com padrão europeu entre Flamengo e Palmeiras deu gosto
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FOLHA DE SÃO PAULO: Por PVC

Cobra-se de Abel Ferreira o aumento de repertório tático do Palmeiras, para que não seja um time apenas de contra-ataque. O português respondeu com variações.

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Nos primeiros dez minutos, marcou por pressão e fez 1 a 0 com sete jogadores dentro do campo do Flamengo para interceptar o passe. Golaço de Raphael Veiga.

Depois, o Palmeiras usou o contragolpe com Danilo recuperando de Everton Ribeiro, antes do lançamento para o pênalti sobre Rony.

Também empurrou o Flamengo para seu campo de defesa, com 56% de posse de bola no segundo tempo.

As alternâncias do clássico mostraram o Palmeiras dominante por 15 minutos e dominado por 30 na primeira etapa. O Flamengo entendeu que Raphael Veiga e Zé Rafael preocupavam-se com a construção de Diego e Gerson e passou a deslocar De Arrascaeta e Everton Ribeiro nas costas dos volantes.

Felipe Melo ficou sobrecarregado e o time de Rogério Ceni controlou o meio de campo. Mérito também escalar Bruno Henrique mais perto de Gabigol e jogar pressão sobre Luan, o zagueiro que erra um lance decisivo por partida.

Para desarmar Bruno Henrique, Luan deu no pé de Arrascaeta. Dele para Filipe Luís fazer a estupenda jogada concluída por Gabigol no rebote da trave.

Então, Rogério Ceni trocou Diego por João Gomes, preocupado com a marcação sobre Raphael Veiga, artilheiro do Palmeiras depois da chegada de Abel. Sem Diego, a marcação rubro-negra se posicionou atrás do meio de campo. O Palmeiras criou espaço e chutou sete vezes contra o gol de Diego Alves.

Ao todo, a final teve 31 finalizações, 17 palmeirenses e 14 rubro-negras. Exatamente o mesmo número do clássico espanhol, Real Madrid 2 x 1 Barcelona, no sábado (10).

A Supercopa nos lembrou de que o Brasil ainda é capaz de produzir bons jogos, como Internacional 2 x 2 Flamengo já havia esboçado, no mesmo final de semana em que o Real Madrid venceu o Barcelona, pelo primeiro turno do Campeonato Espanhol, em outubro.

A graça do clássico do Mané Garrincha não se resumiu aos jogadores. Houve mudança de rumo, variações táticas dos dois times, as estratégias que induziram os adversários aos erros. Tanto do Flamengo, ao inverter Bruno Henrique e Arrascaeta, quanto do Palmeiras, que melhorou a marcação, a saída de bola e o controle do meio de campo com Danilo e Gabriel Menino.

Rogério Ceni tem ainda percentual de pontos pouco menor do que o Flamengo tinha sob o comando de Domènec Torrent e sofreu cinco derrotas em 2021.

O Palmeiras, derrotado nos pênaltis com boa atuação, pode festejar o terceiro troféu do ano se empatar com o Defensa y Justicia na quarta (14). Só o Manchester City jogou mais vezes neste ano (26 a 25).

​No mundo inteiro, a Supercopa é um torneio festivo. Na Inglaterra, não se festeja como título e sim como jogo de pré-temporada. Na Espanha do início da década passada, os confrontos Real Madrid x Barcelona faziam sair faísca do Camp Nou e Santiago Bernabéu.

A tensão não era da Supercopa. Era do clássico. O alto nível técnico exigia muito dos jogadores e isso aumentava o ritmo, o nervosismo e a ansiedade. Era Messi x Cristiano Ronaldo.

Não chegamos a esse ponto, mas Flamengo 2 x 2 Palmeiras deu gosto.​

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