Qual o problema em achar Gerson melhor que o Busquets?
Qual o problema em achar Gerson melhor que o Busquets?
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Foto: Divulgação

GLOBO ESPORTE: Por Maurício Noriega

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O maior problema da tecnologia é o usuário.

A maioria das ferramentas criadas para facilitar e agilizar comunicação e serviços acaba sendo corrompida por quem faz mau uso delas (atenção, regrinha básica: você faz bom ou mau uso de uma ferramenta e você faz bem ou mal a alguém).

Vou tentar desenhar em palavras para que quem quiser me cancelar o faça com alguma base, não compartilhando mensagens de terceiros redigidas em português de boteco.

Durante o “Bem, Amigos” de 1 de março discutíamos a importância do meio-campista Gerson para o título nacional do Flamengo. Galvão Bueno defendia que Gerson poderia ter sido escolhido o craque do campeonato. Caio Ribeiro alertou para um ponto: as estatísticas de Gerson no Brasileirão não chamariam a atenção de analistas de desempenho de grandes clubes europeus. Ele fez apenas um gol e deu três passes para gol.

Eu e Casagrande argumentamos que muitas vezes as estatísticas não traduzem a importância de um jogador para um time. Eu trouxe o exemplo do meio-campista Sérgio Busquets, do Barcelona. O tipo de jogador para quem as estatísticas não dão importância em um time histórico como foi o Barcelona na era Guardiola. Dois times históricos, porque Busquets foi campeão mundial de 2010 e europeu de 2012 com a Espanha (era ainda do time sub-21 quando os ibéricos conquistaram a Europa em 2008).

O que eu fiz, senhores, foi um elogio a Busquets, um atleta que se fosse avaliado pela letra fria das planilhas e dos números não seria valorizado como foi e é. Um jogador de 15 gols marcados em quase 600 jogos. A importância de Busquets nunca se mediu por gols marcados ou passes para gols. Ele tinha participação fundamental no início das jogadas de equipes históricas, na fluência e no ritmo de jogo.

Um dado histórico rápido: a Espanha campeã europeia de 2008 tinha um brasileiro como motor: Marcos Senna. Responsável pela saída de bola da equipe, com percentual de 86% de acerto de passes verticais. O grande Luís Aragonés, treinador espanhol, considerava Senna peça fundamental da equipe.

Senna fez um gol em 28 jogos pela seleção espanhola. Nenhum passe para gol. Vicente Del Bosque não o levou para 2010, optando por Javi Martínez. No Brasil, Marcos Senna sempre foi visto como um jogador de segunda linha por torcedores, dirigentes e grande parte da mídia.

A citação ao catalão de Sabadell foi um elogio a um atleta e um contraponto à argumentação de Caio Ribeiro sobre os números de Gerson. Meio-campistas que não se destacariam numa planilha lida de forma quadrilátera, mas determinantes para o funcionamento de equipes quando observados por olhos analógicos.

Posteriormente afirmei – e reafirmo – que considero Gerson um jogador com mais repertório que Busquets. Desenhando sobre repertório: capacidades técnicas e físicas de um atleta que envolvem força, equilíbrio, resistência, mobilidade, velocidade, agilidade, coordenação, flexibilidade. As chamadas valências.

Como tudo isso foi lido nas redes antissociais dos “jênios”? O Noriega disse que o Gerson joga mais que o Busquets. E vem a tradicional saraivada de impropérios típica do idiota cibernético, recheada de absurdos de gramática e concordância e desinformação “chupada” de algum portal ou postagem e compartilhada com um monte de kkkkkks.

Repito: para mim Gerson é um jogador com mais repertório técnico que Busquets. Com mais potencial para executar ações dentro de um time de futebol. Não se compara um jogador de 23 anos a outro de 32. Um que sempre atuou na Europa no melhor momento de uma pátria futebolística, no maior time da história de um clube gigantesco a outro que se destaca num instante de crise técnica de um futebol doente pela soberba e na retomada de um clube igualmente gigantesco.

Adoro um bom debate. Não ligo a mínima se concordam ou discordam de mim. Curto mesmo a fase das argumentações, o falar e ouvir.

Também não me iludo com elogios (ainda que guarde na prateleira do meu ego alguns que me enchem de orgulho honesto) e nem me desespero com críticas, por mais estúpidas que sejam. Problema é quando são desonestas. Aí a gente esclarece.

Cada um acha o que quiser.

Meu amigo Caio Ribeiro, ótimo comentarista, considera o Busquets muito melhor do que o Gerson. Mas escalaria o Gerson como titular da seleção brasileira. Eu também escalaria. Eu acho o Iniesta o maior jogador da história da Espanha. Tem gente que acha o Di Stéfano, mesmo ele sendo argentino de nascimento. Opiniões.

Se há quem considere Messi melhor que Pelé, qual o crime digital em dizer que o Gerson tem mais repertório que o Busquets?

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