O mundo paralelo de Rogério Ceni
O mundo paralelo de Rogério Ceni
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BLOG DO RENATO MAURÍCIO PRADO: A partida na qual o Juventude derrotou o Flamengo por 1 a 0 foi decidida por um gramado impraticável, sem condições de jogo, tão encharcado e cheio de poças estava. Um absurdo que o juiz e, por extensão, a CBF tenham autorizado a sua realização.

Ainda assim, algumas decisões do técnico Rogério Ceni foram incompreensíveis, como aliás têm sido muitas delas, desde que assumiu o rubro-negro carioca. A saber:

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Qual o sentido da escalação de Michael? Mesmo em campo seco, já deveria ter sido barrado. Num pântano como o do Alfredo Jaconi, então, nem se fale. E o técnico demorou mais de 20 minutos para perceber o óbvio e trocá-lo por Rodrigo Muniz.

Por que, na ausência de Arrascaeta, Vitinho se tornou o cobrador oficial de escanteios, se não acerta um sequer, seja do lado direito ou do esquerdo? Por que não, Diego, muito mais habilidoso, deixando Vitinho na área, onde, com sua altura, seria mais um na tentativa de cabeceio? João Gomes ocuparia a função defensiva do capitão, nas cobranças de corner, protegendo os contra-ataques.

A partir da rápida constatação de que não seria possível jogar tocando a bola, por que o time não foi orientado a usar apenas os lançamentos longos e, fundamental, a brigar pela segunda bola no campo adversário? Dar chutão e avançar lentamente, com medo de um contra-ataque rápido (algo dificílimo num gramado empoçado), foi um erro crasso. Não corrigido durante toda a partida.

Num charco como o de Caxias de Sul, os chutes de fora da área poderiam ter sido uma arma poderosa. Com a bola molhada, se não entrasse, haveria chances de rebotes. Mas mesmo tendo bons chutadores como Vitinho, João Gomes, Bruno Henrique e Pedro, pouquíssimos arremates de média distância foram tentados. Por que Ceni não os incentivou a fazer isso?

Incompreensível também a decisão de lançar Thiago Maia, voltando de gravíssima lesão, cirurgia e oito meses de inatividade, num gramado pesadíssimo e num jogo pegado, onde os riscos de nova contusão eram elevados. Irresponsabilidade grave.

Por falar em Thiago Maia, e essa ideia de treiná-lo para jogar pela direita, em posição semelhante à de Everton Ribeiro? Já não bastam as improvisações de Arão (como zagueiro), Rodrigo Caio (deslocado para o lado esquerdo da defesa) e Diego (transformado em volante)? Trocas que destruíram o sistema defensivo da equipe. E nas quais insiste.

O que Rogério pretende? Montar um time com onze jogadores improvisados? Sendo a posição real de Thiago Maia, exatamente, a que mais precisa de uma reposição de qualidade, com a saída de Gerson? Inexplicável.

Os defensores do técnico alegam que ele está “ganhando tudo”. Vamos falar sério? Ele foi eliminado da Copa do Brasil e da Libertadores, na temporada passada, e conquistou o Brasileiro com muito mais dificuldade do que seria esperado, com o elenco que tinha nas mãos. É sempre bom lembrar, perdeu o jogo que lhe daria a taça (contra o São Paulo, no Morumbi) e acabou tendo que torcer pelo celular pela anulação, graças ao VAR, de um gol do Internacional, que faria o título mudar de mãos.

Na temporada 2021, venceu a Supercopa do Brasil, que estava perdida, na decisão por pênaltis, graças aos milagres de Diego Alves, e o Carioquinha que, hoje em dia, é obrigação, tamanha a disparidade de orçamentos e de times no Estado do Rio.

A confiança e o carinho da maior parte da torcida, porém, ele ainda está longe de conquistar. Pelo simples motivo de que o seu time não empolga, esbanja irregularidade e, quando vence, na maioria das vezes é por causa do talento individual de seus jogadores. Não se vê uma jogada ensaiada, uma trama bem urdida em treinamentos, nada. Nem cobranças de faltas, especialidade na qual era um mestre, ele consegue ensinar!

Já escrevi aqui e repito: a missão desse time misto do Flamengo é passar o bastão para os titulares em boa posição na tabela, próxima às dos líderes. Os três pontos perdidos contra o Juventude, decididamente, conspiram contra essa meta.

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