Frituras, a especialidade do Flamengo pós Jesus
Frituras, a especialidade do Flamengo pós Jesus
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GILMAR FERREIRA: Difícil apontar o vilão neste conflito entre o técnico Paulo Sousa e o goleiro Diego Alves.

Mas como pode um problema tão banal expor as fraturas de um departamento de futebol de alto nível de excelência, carro chefe do Flamengo?

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O fato é que desde a saída da comissão técnica chefiada por Jorge Jesus, em 2020, que o clube não consegue garantir a tranquilidade dos profissionais.

Algo que me fez lembrar das palavras do espanhol Domènec Torrent, tão logo se sentiu confortável para dar sua primeira entrevista, após deixar a Gávea.

“Acho que o problema do Flamengo está dentro do Flamengo. Enquanto eles não esclarecerem as coisas entre si, isso vai continuar com Dome, com Ancelotti, com Klopp, com Pep Guardiola, com quem for… foi isso que sentimos desde o primeiro dia, porque sabíamos que muita gente lá dentro não nos queria. Sabíamos. Acho que todo mundo que trabalha no Flamengo sabe o que acontece lá…” , disse o ex-auxiliar de Guardiola, dois meses depois de sua demissão, num discurso cheio de metáforas, cuidadosamente articulado para não ferir susceptibilidades.

Agora, vejam bem: independentemente dos resultados de campo, Domènec Torrent foi frito e ensopado com batatas em plena pandemia.

Cozimento que se repetiu com Rogério Ceni, que saiu após seguidos conflitos internos e vazamento de áudio em que um analista de desempenho o criticava.

Renato Gaúcho, que o substituiu, foi outro que se viu em meio a discussões com profissionais da fisiologia e departamento técnico.

A perda dos títulos disputados só legitimou uma dispensa que já era dada como certa.

Os fatos mostram que o departamento comandado do Flamengo só deu certo mesmo quando ocupado pelo entourage de Jorge Jesus.

Sob o comando da dupla Marcos Braz, o vice, e Bruno Spindel, executivo forjado pelo trio Landim, Bap e Rodrigo Tostes, a gestão da pasta é um desastre.

Erraram quase tudo – da escolha dos jogadores para reposição à administração dos conflitos de vestiário.

Sem esquecer da revelação de Jorge Jesus, feita há pouco, de que a dupla foi a Portugal e não lhe fez oferta para voltar ao clube.

Ou seja: citando mais uma vez a obra do catalão Ferran Soriano, hoje CEO do City Group, “a bola não entra por acaso”.

Um clube vencedor não se faz apenas com dinheiro e jogadores talentosos… É preciso ter quem zele pela disciplina e pelas metas estratégicas.

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