Flamengo teima nos seus erros
Flamengo teima nos seus erros
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BLOG DO ANDRÉ ROCHA: Quando o árbitro Luiz Flávio de Oliveira apitou o final do primeiro tempo na Neo Química Arena, o Flamengo tinha 68% de posse de bola, 14 finalizações contra apenas quatro do Fluminense. Quatro a um no alvo, mais uma cabeçada na trave de Gustavo Henrique, novidade na escalação de Rogério Ceni, adiantando Willian Arão.

Só que o placar terminou 0 a 0. O Fluminense praticamente não jogou, só contando com algumas arrancadas de Caio Paulista pela direita e o cruzamento de Egídio para cabeçada de Fred e defesa de Diego Alves. Um 4-2-3-1 espaçado, cedendo brechas para as jogadas pelos flancos e também tabelas por dentro do rival.

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Um massacre sem gols. O Flamengo tem méritos pela execução do modelo de jogo, com Matheuzinho e Michael abrindo o campo, Vitinho, João Gomes, Bruno Henrique e Pedro buscando os espaços entre a defesa e o meio do adversário. Tudo bem treinado e executado, mas no Fla-Flu só até o passe final ou a finalização.

Os desfalques pesam muito. Everton Ribeiro e De Arrascaeta pela criatividade, Gabigol pela eficiência nas conclusões. Mas uma leitura de contexto seria suficiente para trabalhar mentalmente a necessidade de ser mais contundente nos períodos de domínio ou de dosar as energias pelos 90 minutos.

O Flamengo muitas vezes é um time que confunde convicção com teimosia. Ou um toque de soberba. Muito mexido e desgastado, confia que será superior todo jogo, o tempo inteiro. Não é assim que funciona, por isso as principais equipes se adaptam ao contexto de cada partida.

O Fluminense sabia que tinha mais gás e opções no banco. E Roger Machado tem mais rodagem que Ceni, o que muitas vezes significa um feeling para o momento das trocas e os jogadores escolhidos. Primeiro Nenê, Luiz Henrique e Lucca nas vagas de Cazares, Caio Paulista e Fred. Aos 41 minutos, mudanças acreditando na vitória: Kayky no lugar de Gabriel Teixeira e André substituindo Martinelli.

O triunfo veio aos 45 minutos, na transição rápida com o Flamengo adiantado, mesmo exausto. Luiz Henrique no mano com Gustavo Henrique, drible para o fundo, cruzamento e gol de André. O contragolpe preciso que o Fluminense esperava e sabia que o Flamengo daria. Poderia ter saído na bola esticada para Lucca, que driblou o goleiro, mas chutou fraco e Arão salvou.

Ceni manteve Bruno Henrique em campo, mesmo com este claramente fora de sintonia, desde o início do jogo. O único titular do meio para frente está sobrecarregado, no sacrifício deste longo período com o time esfacelado. Mas nada impedia o treinador de sacá-lo. Ceni preferiu tirar Vitinho, também desgastado e com cartão amarelo. Novamente trocou João Gomes, também pendurado, por Thiago Maia.

Definitivamente, o atual bicampeão brasileiro piora quando atua com dois centroavantes. Pedro e Muniz não funcionaram juntos e o Fla ficou espaçado, frágil. O jovem Max, que entrou no lugar de Michael, nitidamente sente a responsabilidade, não arrisca nada, só toques burocráticos. Muitos elos fracos que deveriam tornar o time mais precavido. Ou focado em encaminhar a vitória no primeiro tempo.

Nem uma coisa, nem outra. E o Flu, repetindo o roteiro da vitória no returno do Brasileiro passado por 2 a 1 e do empate por 1 a 1 na ida da final do Carioca, se deu bem outra vez. Jogando mal, correndo riscos. Mas ciente de que a chance viria. Para encerrar uma sequência de quatro jogos sem vencer. Com 33% de posse, 11 finalizações e cinco na direção da meta de Diego Alves.

O Flamengo soma a terceira derrota em sete jogos. Um pouco mais de concentração e respeito pelos rivais poderiam ter evitado as derrotas no final para Bragantino e Flu. Sem contar o erro bobo de Matheuzinho no campo encharcado que deu o gol da vitória ao Juventude. Pode ser mais sério.

Agora vai a Belo Horizonte com ambiente de crise para enfrentar o Atlético Mineiro. Mesmo com os prováveis retornos de Isla e Arrascaeta, eliminados da Copa América, o risco de novo revés é enorme. No ano passado uma goleada custou o emprego de Domènec Torrent.

Muito questionado, Ceni não se ajuda com decisões simples que evitariam transtornos. Como foi previsível a estratégia de Roger que funcionou no Fla-Flu em São Paulo.

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