Flamengo negocia indenização até com sobreviventes ilesos   Flamengo Hoje
Flamengo negocia indenização até com sobreviventes ilesos Flamengo Hoje

A folia que toma conta do Brasil no Carnaval não interrompeu as negociações de Flamengo e familiares para indenização das vítimas do incêndio do dia 8 de fevereiro no Ninho do Urubu. E as conversas não são somente com representantes dos dez garotos que perderam a vida, mas com os 26 que passaram a madrugada daquela sexta-feira no centro de treinamento.

Após revelar acordo com uma das famílias dos que morreram na tragédia – mantida em sigilo -, o Rubro-Negro está confiante em definir outros quatro acordos indenizatórios em breve. A negociação inclui um montante inicial e valores mensais por um período acima de dez anos.

Apesar da prioridade estar nas famílias das vítimas fatais, há conversas também com representantes de Cauan, Dyogo e Jhonata, que ficaram feridos no incêndio. Além deles, outros 13 garotos conseguiram escapar do fogo no alojamento sem escoriações, mas também serão indenizados e são considerados vítimas.

Naturalmente, as negociações são distintas, de acordo com o dano sofrido por cada jovem. Os sobreviventes sem ferimentos, por exemplo, voltarão à rotina de atividades das categorias Sub-15 e Sub-17 no mês de março, paralelamente às negociações.

A revelação do acordo com a primeira família entre os que perderam a vida, entretanto, causou burburinho entre o grupo. Advogados e familiares se comunicam constantemente neste período de negociações e nem mesmo entre eles houve revelação de quem foi que já se acertou com o Flamengo.

O segredo levantou questionamentos, mas a posição do clube é de que o mesmo se dá por precaução, uma vez que esta família teme pela própria segurança diante dos valores envolvidos no acordo. Apesar de sigiloso, circula nos bastidores da Gávea de que o montante é inferior aos R$ 2 milhões sugerido pelo Ministério Público, mas acima dos R$ 700 mil da segunda proposta que foi revelada.

As negociações pelas indenizações começaram no dia 18, 10 dias após a tragédia. O valor proposto por Ministério Público Estadual, Ministério Público do Trabalho e Defensoria Pública foi de R$ 2 milhões, além de R$ 10 mil mensais por mais 30 anos. O Flamengo não concordou com as cifras e, em nota oficial, disse que ofereceu valores maiores que os padrões. Em sua primeira entrevista coletiva após a tragédia, Landim defendeu a proposta do clube:

– É sem precedentes na história do nosso país. O que nós estamos propondo não houve na história do nosso país. O que foi colocado antes do processo de mediação foi um piso de discussão, que nós entendemos que é muito acima de toda e qualquer decisão que aconteceu. O Flamengo quer equacionar com valores acima, mas que já são o dobro da jurisprudência. O que não quer dizer que, se pedirem 10 vezes, 100 vezes o valor da jurisprudência, nós iremos aceitar.

No dia 8 de fevereiro, 10 jogadores das categorias de base do Flamengo, entre 14 e 17 anos, morreram: os goleiros Bernardo Pisetta e Christian Esmério; os zagueiros Arthur Vinicius e Pablo Henrique; o lateral Samuel Rosa; os volantes Jorge Eduardo e Rykelmo Viana; e os atacantes Athila Paixão, Gedson Santos e Vitor Isaías. Outros três ficaram feridos: Cauan Emanuel, Francisco Diogo e Jonathan Ventura, único que ainda está internado.

O Flamengo assumiu a responsabilidade pela tragédia, considerada a maior da história do clube, mas não a culpa. O clube alega que tinha disjuntores para cada aparelho de ar-condicionado, onde começou o incêndio, e atribui à pane elétrica causada pelo temporal que caiu dias antes no Rio. Porém, o Ninho do urubu não tinha alvará do Corpo de Bombeiros para ter alojamento no local e nem o habite-se da prefeitura, que interditou o CT.

Por: Globo Esporte