Flamengo e Palmeiras deixam avisos um ao outro e também à concorrência
Flamengo e Palmeiras deixam avisos um ao outro e também à concorrência
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BLOG DO ANDRÉ ROCHA: Foi um grande jogo no Mané Garrincha e, se acontecesse às 16h ou 18h, teríamos algo bem próximo do nível de enfrentamento entre os grandes da Liga dos Campeões. Sem exagero.

Justamente porque Flamengo e Palmeiras sabiam que precisavam deixar tudo em campo para vencer. E deixaram, em duelo de estilos, estratégias e variações. O Palmeiras surpreendendo com a intensidade inicial, mesmo com pouco tempo de trabalho dos titulares e do treinador Abel Ferreira na volta do “recesso”, depois de uma temporada estafante e vencedora.

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Sete homens no campo de ataque pressionando quando Diego Alves errou na saída e Felipe Melo acionou rapidamente Raphael Veiga para dar um drible de Edmundo (ou Bergkamp) em Willian Arão – que errou ao abordar o adversário como volante, não zagueiro – e abrir o placar logo de cara.

Tudo que o campeão sul-americano e do mata-mata nacional precisava. Tanto para recuar um pouco as linhas e jogar em rápidas transições ofensivas quanto para não permitir que o adversário ganhasse confiança para se instalar no campo de ataque e amassar.

A resposta do Flamengo veio com mobilidade. Na primeira grande chance, Bruno Henrique apareceu no lado direito para recuar de calcanhar para Isla e o lateral chileno servir De Arrascaeta, que por pouco acertou o ângulo direito de Weverton.

O meia uruguaio começava a fazer estragos às costas de Felipe Melo e Zé Rafael quando foi Luan que errou e Arrascaeta acionou rapidamente Filipe Luís. O lateral que é o terceiro elemento na saída de bola e costuma atacar por dentro apareceu como ala para fazer grande jogada individual, chutar na trave e Gabigol completar no rebote.

O Palmeiras não sentiu o empate e voltou a avançar as linhas. Desde o início ficou bem claro que o Alviverde sabia que empurrar a decisão da Supercopa do Brasil para o segundo tempo poderia ser muito vantajoso, justamente por contar com elenco mais homogêneo e peças para mudar o jogo. Por isso os titulares correram e jogaram (e bateram) como se não houvesse amanhã. Sabiam que os cinco mais exaustos ou que corressem mais riscos de um segundo amarelo poderiam sair.

Pilhado demais, Wesley poderia ter sido expulso. Alucinado, Abel Ferreira recebeu o vermelho. A reclamação pelo amarelo não apresentado por Leandro Vuaden a Diego era justa, mas não para um escândalo nível Mano Menezes.

Mas o Palmeiras também jogava e teve a chance de desempatar com Breno Alves, mais um a infiltrar nas costas de Arão. Chegou a driblar o goleiro, mas Diego, o camisa dez, salvou. Ainda teve a falta de Isla sobre Wesley que Vuaden deu pênalti, mas o VAR corrigiu apontando a infração fora da área. Na cobrança, mais uma finalização certa de Veiga e boa defesa de Diego Alves.

Em contragolpe rápido, Gabigol serviu Bruno Henrique, que chutou fraco e Weverton, um goleiro espetacular cada vez melhor, salvou. Tudo pareceu clarear para o bicampeão brasileiro quando Arrascaeta tirou da cartola uma finalização improvável para virar o placar. Falha de Marcos Rocha, que deixou todo espaço do mundo para o melhor e maior estrangeiro que já vestiu a camisa do Flamengo – os fãs de Petkovic e Doval que perdoem este que escreve.

Segundo tempo com o cenário previsível. Palmeiras já na volta do intervalo com Danilo e Gabriel Menino nas vagas de Felipe Melo e Zé Rafael. Rogério Ceni sentiu o drama do sol de meio-dia e do banco de reservas menos recheado e fez sua equipe recuar para tentar ampliar nos contragolpes. Reforçou o meio com João Gomes no lugar de Diego e renovou a lateral direita com Matheuzinho na vaga de Isla, já com cartão amarelo.

Mas deixou em campo Everton Ribeiro, que errou passe e viabilizou o contra-ataque rápido que terminou com o tolo pênalti de Rodrigo Caio sobre Rony convertido por Raphael Veiga, o melhor palmeirense da decisão.

Com Mayke e Gabriel Verón nas vagas de Marcos Rocha e Wesley, o Palmeiras teve chances para virar a partida, especialmente no jogo aéreo. Também chutes de fora da área, outro quesito em que é superior aos rubro-negros, que sempre preferem trabalhar mais a bola para a conclusão.

Ceni demorou a tirar Everton Ribeiro e Gerson, que destoaram, e Bruno Henrique, que chegou ao limite físico. Até dá para entender, porque Vitinho, Pepê e Michael não são confiáveis para uma disputa desse tamanho.

Mas surpreendentemente eles foram bem nos minutos finais. Vitinho, que vai se encontrando como um reserva de Everton Ribeiro na função de “ponta armador”, poderia ter marcado o gol da vitória em bola que pegou na trave e foi beijada por Weverton – como Pagliuca no chute de Mauro Silva na trave na final da Copa de 1994. Mesmo gesto do goleiro depois de salvar sobre a linha o chute sem ângulo de Gabigol.

No saldo final, 55% de posse do Flamengo, 18 a 17 em finalizações, mas 10 a 5 no alvo a favor dos palmeirenses, que também cometeram mais faltas: 23 a 15. Muito equilíbrio e qualidade. Tudo isso sem os ótimos Luiz Adriano e Pedro…

E incrível virada do Fla nos pênaltis. O Palmeiras teve dois “match points”, mas Diego Alves mostrou de novo sua destreza que já parou Messi e Cristiano Ronaldo. Pegou as cobranças de Luan, Mayke e Gabriel Menino, ainda colocou muita pressão sobre Danilo, que bateu para fora. Filipe Luís bateu no travessão, Matheuzinho e Pepê pararam em Weverton. Mas Rodrigo Caio teve calma para fechar em 6 a 5.

O aviso do Flamengo para o Palmeiras é claro: Abel Ferreira pode tirar ainda mais desse time, que tem recursos para trabalhar a bola no campo de ataque e gerar espaços, não apenas esperar o erro do oponente.

O alerta do Alviverde para os rubro-negros é cristalino: reforce o elenco ou desenvolva melhor as peças disponíveis para que o nível técnico não caia tanto. Ainda mais em temporada que será complicada com datas FIFA sem interrupção do calendário.

E a dupla dominante do futebol brasileiro nos últimos anos sinaliza para a concorrência: a grande disputa da Supercopa deixa lições para ambos. Se aprenderem e evoluírem, a distância para Atlético Mineiro, São Paulo, Grêmio, Internacional e quem mais tentar rivalizar no topo pode ficar ainda maior.

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