Flamengo é o time a tentar tirar o futebol brasileiro da mediocridade
Flamengo é o time a tentar tirar o futebol brasileiro da mediocridade
Publicidade

Everton Ribeiro em Sport x Flamengo – Foto: Alexandre Vidal

BLOG DO ANDRÉ ROCHA: Rogério Ceni acertou em Recife ao manter as ideias que transformaram o segundo tempo em Porto Alegre nos 4 a 2 sobre o Grêmio. O Flamengo repetiu o alto nível nos 3 a 0 sobre o Sport, especialmente no primeiro tempo.

Publicidade

Aumentando a intensidade no perde-pressiona e conseguindo muito volume de jogo com os atletas mais técnicos em campo e muita movimentação. Everton Ribeiro e Arrascaeta partindo dos lados para o centro, Bruno Henrique e Gabigol atacando os espaços às costas dos defensores adversários. No meio, Gerson e Diego alternando mais no apoio que os laterais: Isla segue atacando muito enquanto Filipe Luís ajuda mais na construção desde a defesa. Outra alteração que privilegiou a técnica e melhorou a produção coletiva.

Só faltou ser mais eficiente nas conclusões. Foram 13 no primeiro tempo, cinco no alvo. Pelo menos três chances claras além dos gols de Gabigol e Bruno Henrique. O camisa nove perdeu duas cristalinas. O Sport sofreu o primeiro gol logo aos três minutos – bela inversão de Gerson e assistência de Arrascaeta para Gabriel – e foi obrigado a sair da proposta de Jair Ventura. Para piorar, havia uma avenida nas costas de Patric, que vem atuando como meia pela direita e voltou à lateral. A cobertura de Iago Maidana nunca chegava a tempo.

Um passeio que não virou goleada e poderia ter complicado o segundo tempo se o time pernambucano não fosse tão frágil quando precisa sair para o jogo. A equipe de Ceni administrou, finalizou mais oito vezes, quatro no alvo. Gabigol perdeu uma chance em cabeçada por cima, com cruzamento de Pepê, que entrou na vaga do lesionado Gerson. Mas Pedro, que substituiu Gabriel, não perdoou no final, aproveitando assistência de Everton Ribeiro e batendo cruzado. 3 a 0, repetindo o placar do turno. Agora com o ataque mais positivo do campeonato, com 60 gols.

Com os três pontos, o Flamengo se afirma na segunda colocação e vai atrás do líder Internacional para buscar o bicampeonato. Assim como em 2016 e 2018, o time carioca deve polarizar a disputa do título contra o jogo pragmático.

Há quatro anos, a semelhança em relação à edição atual é o fato de nunca ter alcançado a liderança. Mas um período de vitórias e bom futebol criou a onda do “cheirinho de hepta” que foi usado por Cuca no Palmeiras para mobilizar seus jogadores e não dar brechas. Com vitórias no fio da navalha e futebol pobre, o time paulista se impôs inclusive no físico, com o Flamengo de Zé Ricardo perdendo gás e até a segunda colocação para o Santos.

Em 2018, o Brasileiro parou para a Copa do Mundo com o Flamengo líder, mas o trabalho do jovem Mauricio Barbieri não se sustentou. De novo o Palmeiras, então com Luiz Felipe Scolari no comando, mas desta vez com uma arrancada do time misto, já que o clube priorizava o mata-mata. O Flamengo se recuperou com Dorival Júnior, mas não aproveitou a chance de encostar no confronto direto. O empate por 1 a 1 no Rio de Janeiro encaminhou nova conquista alviverde, com o estilo Felipão.

Sempre com o Flamengo buscando aliar desempenho e resultado dentro de uma proposta mais ofensiva. Em 2019 veio o título, com a melhor campanha da era dos pontos corridos. Nem chegou a haver polarização, já que o Palmeiras, com exceção da liderança nas nove primeiras rodadas, nunca se colocou como um candidato real e foi pulverizado no duelo que terminou com 6 a 1 no agregado para o time de Jorge Jesus.

Agora a caça é ao Internacional de Abel Braga. Mais um time que entrega pouco além do resultado. Não tem vergonha de jogar nos contragolpes e com menos posse de bola contra equipes muito inferiores e lutando contra o Z-4. Novamente um treinador experiente capaz de mobilizar todos para lutar jogo a jogo e não dar brechas. Já são nove vitórias seguidas, superando a marca do próprio Flamengo no ano passado.

Quatro pontos separam os dois primeiros colocados na tabela. Na penúltima rodada, o confronto direto no Maracanã que pode definir o campeão. Até lá, jogos complicados para as duas equipes. Difícil imaginar ambas ou uma delas alcançando 100% de aproveitamento. Na próxima rodada, o Colorado vai à Arena da Baixada enfrentar o Athletico e o Flamengo tem clássico saturado de rivalidade com o Vasco. Quem terá mais fôlego?

É claro que o Atlético Mineiro não pode ser descartado, com apenas um ponto atrás do Fla e tendo uma tabela, em tese, menos complicada. Os comandados de Jorge Sampaoli podem aproveitar o “vácuo” e entrar na vaga do atual campeão brasileiro como o time ofensivo a duelar com o Inter. O confronto entre propostas seguiria o mesmo.

Rogério Ceni trabalha para manter seu time vivo na disputa. Enfim conseguindo repetir conceitos de 2019, mas também com ideias próprias. Volta ao Rio de Janeiro com 12 pontos dos 15 disputados e alto rendimento nos melhores momentos para sonhar com o bi. Será que vence o futebol de resultados desta vez? Agora vai?

Publicidade