Flamengo apresenta suas armas para “missão impossível” no Brasileiro
Flamengo apresenta suas armas para “missão impossível” no Brasileiro
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BLOG DO ANDRÉ ROCHA: O gol de Raniel, abrindo o placar para o Santos contra o Atlético no Mineirão, combinado com os 3 a 0 sobre o Juventude no primeiro tempo com grande atuação parecia sinalizar um “turning point” para o Flamengo no Brasileiro.

Mas a virada foi do Galo. 3 a 1 que mostrou que o time de Cuca não vai se dobrar tão fácil na luta pelo título que não vem desde 1971. Mesmo com desfalques e sofrimento, a mobilização é total. É uma final todo jogo e o elenco é bom e farto para dar respostas.

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Qual é a chance do bicampeão alcançar esse tri que hoje parece tão improvável? Acompanhar o ritmo de um time que chega a 18 jogos de invencibilidade, vencer o confronto direto do dia 30, no Maracanã, e jogar toda pressão para o outro lado nas últimas rodadas. Só assim para o jejum de 50 anos que faz o Atlético não ceder um milímetro agora pesar contra no aspecto mental na reta final.

Para isso, Renato Gaúcho terá que contar com a qualidade do elenco. A margem de erro é mínima e haverá alguns percalços no caminho. Por exemplo, que time escalar no Fla-Flu entre as partidas da semifinal da Copa do Brasil contra o Athletico? Vai depender demais do que acontecer na ida em Curitiba. Duelo complicado, sem contar com David Luiz, De Arrascaeta e Bruno Henrique.

O duelo com o Galo será três dias depois da partida de volta. Será ressaca, para o bem ou para o mal, do que acontecer no mata-mata nacional. É claro que o time mineiro também está envolvido, contra o Fortaleza. Mas qual será o nível de prioridade em uma competição que venceu em 2014 comparado com a obsessão pelo Brasileiro?

A chance dos rubro-negros é não deixar o desempenho cair para construir os resultados em três frentes. Porque na semana da final da Libertadores, no final de novembro, será ainda mais complicado conciliar. Então é preciso ter dois times competitivos.

Não é simples, por exemplo, repor Filipe Luís com Renê, ou mesmo o promissor, mas inconstante Ramon. O lateral esquerdo titular “arredondou” o time em seu retorno de lesão. Guarda bem seu setor e é uma referência técnica quando a saída da defesa está apertada. Uma “bola de segurança”.

Com ele o jogo flui e potencializa quem está mais à frente. Como Michael, autor de dois gols em Fortaleza e da assistência para Pedro no segundo gol contra o Juventude. Ou Kenedy, enfim estreando de início, acrescentando como o ponteiro canhoto partindo da direita para dentro e abrindo o corredor para o lateral Matheuzinho. Este outro destaque, marcando, apoiando e batendo forte na trave em bela jogada antes dos gols.

Andreas Pereira merece dois parágrafo só para ele. Melhor adaptado à função de meia mais adiantado no 4-2-3-1, se entendendo com Thiago Maia e, o principal, acabando com o jejum da equipe de mais de três anos sem um gol de falta. O time que teve Zico, Júnior e Petkovic, em uma versão histórica e vencedora, não conseguia marcar em cobranças diretas.

O meio-campista marcou em cobrança espetacular, que lembrou Zico, mas também Cristiano Ronaldo, Pirlo, Juninho Pernambucano… Assim acrescenta mais esse recurso a uma equipe já poderosa ofensivamente, melhor ataque do Brasileiro com 46 gols em 23 partidas, média de dois por jogo.

Pedro fez um por partida, desde que Gabigol abriu brecha servindo à seleção. Se há alguém que se beneficia do Brasileiro seguir na data FIFA é o centroavante de estilo cada vez mais refinado. Para finalizar ou servir, como na linda assistência para Kenedy. Mas sentiu o joelho e pode ser o novo lesionado.

A boa notícia para Renato é que Gabigol e Everton Ribeiro não devem ser titulares de Tite contra o Uruguai e chegarão menos desgastados da seleção. Perder pontos para o Cuiabá em casa é proibitivo. Ao mesmo tempo, é preciso escalar no domingo à noite pensando na Copa do Brasil.

Eis o grande desafio do Flamengo até dezembro. Achar a dosagem perfeita para operar no limite. Usando a maratona de jogos para manter o elenco alerta e motivado, já que é certo que todos serão aproveitados. É o que resta para a “missão impossível” nos pontos corridos, sonhando com a verdadeira e inédita tríplice coroa no Brasil.

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