Com calma, diretoria do Flamengo definirá orçamento e fará contatos por Gallardo e Villas Boas
Com calma, diretoria do Flamengo definirá orçamento e fará contatos por Gallardo e Villas Boas
Publicidade

GLOBO ESPORTE: Por Cahê Mota

O Flamengo vai atrás de um estrangeiro para substituir Renato Gaúcho, mas antes colocará em pauta conflitos antigos para definir o orçamento na busca por um treinador.

Publicidade

O planejamento para 2022 passa também por uma reformulação no departamento de futebol, que será conduzida a partir da escolha do novo comandante. Nomes como Marcelo Gallardo e André Villas-Boas estão em uma lista óbvia para contatos prévios que promete ser extensa até que negociações de intensifiquem.

Com Maurício Souza como solução caseira até o fim do Brasileirão, o Flamengo fará uso de algo que não teve à disposição nas trocas de Jorge Jesus, Dome e Rogério Ceni: o tempo. Às vésperas de uma eleição, a percepção dos dirigentes é que não há motivos para acelerar o processo e será necessário mapear o mercado com paciência em busca de um nome de consenso projetando o triênio 2022-2024.

O primeiro ponto a ser debatido é quanto o clube está disposto a gastar por um novo treinador e as diretrizes na ocasião da saída de Jorge Jesus seguem frescas na memória de que vive os bastidores da Gávea e do Ninho. Na ocasião, os impactos da pandemia serviram de argumento para cortes drásticos no que seria pago ao Mister na renovação de contrato em comparação a busca pelo substituto.

Marcos Braz tinha um preferido bem definido: Leonardo Jardim. O corte de verba fez com que o vice de futebol sequer sentasse com português, que estará no Mundial de Clubes comandando o Al Hilal, e direcionasse as conversas para Carlos Carvalhal. Por fim, Dome foi a solução encontrada, enquanto parte da diretoria defendia Miguel Angel Ramirez. Não deu certo.

A percepção de momento é de que é mais importante investir num comandante que chegue com uma equipe multidisciplinar do que em reforços. Até por isso, as muitas trocas previstas para departamentos variados (preparação física, fisiologia, análise de desempenho e outros) passará integralmente pelo número de profissionais que o novo treinador trará consigo. A certeza é de que a renovação vai além do comando do time.

Diante deste cenário, falar em nomes nada mais é do que especular. O Flamengo não tem um alvo definido ou conversas marcadas. Há, por sua vez, as “obrigações de mercado” e a diretoria planeja realizar contatos com nomes como Marcelo Gallardo e André Villas-Boas para, antes de tudo, saber o que projetam para suas carreiras e se o futebol brasileiro os apetece.

O Flamengo sabe que uma negociação não depende apenas das questões financeiras e Gallardo, por exemplo, tem ambições bem definidas que vão além da América do Sul. Como em negociações de jogadores como David Luiz, qualquer início de tratativa passar pelo profissional se abrir ao mercado brasileiro.

Informações prévias de profissionais que vivenciaram os últimos meses de Gallardo no River indicam um desejo por um período sabático à espera de ofertas da Europa antes de abrir-se ao Brasil. O panorama, na opinião da diretoria rubro-negra, é padrão para técnicos do alto escalão e o processo de persuasão é mais delicado do que de valores.

Sempre em pauta, Jorge Jesus vive situação parecida. Por mais que a permanência no Benfica ao término do contrato, em junho, seja improvável, é igualmente improvável uma ruptura imediata com o título português em jogo palmo a palmo com Porto e Sporting, e boas chances de classificação para as oitavas de Champions.

O Mister e Marcos Braz têm contato direto e constante, mas o Flamengo não cogita esperá-lo até o fim de maio e o treinador tem objetivos esportivos no curto prazo pelo Benfica. Depois de três escolhas que não deram certo, o clube sabe que não tem muito mais direito de errar e avalia o mercado pautado em nomes estrangeiros, tempo e orçamento.

Publicidade