Andreas Pereira acaba com um calvário do Flamengo
Andreas Pereira acaba com um calvário do Flamengo
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BLOG DO RENATO MAURÍCIO PRADO: Kenedy fez um golaço e deixou no ar a esperança de que poderá ser um reforço importante na reta final da temporada. Pedro marcou o seu, além de dar um lindo passe de calcanhar, na jogada que abriu o placar no Maracanã. Michael voltou a ser decisivo e o time inteiro do Flamengo atuou muito bem nos 45 minutos iniciais nos quais decidiu a partida contra o Juventude.

Nada, entretanto, foi mais impactante para os flamenguistas que o golaço de falta de Andreas Pereira, encerrando um jejum de 235 partidas do Flamengo sem marcar em cobranças diretas de bola parada – desde o dia 6 de julho de 2018, quando Diego balançou a rede, contra o Paraná, após a bola que chutou desviar na barreira e vencer o goleiro adversário.

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Para um clube que já teve até música louvando a eficiência de seu maior ídolo nesse tipo de jogada (“É falta, na entrada da área, adivinha, quem vai bater? É o camisa 10 da Gávea” – Jorge Ben Jor, 1976), esses mais de três anos foram um calvário. Uma penosa travessia do deserto para uma tribo que se acostumou a ser saciada não somente por Zico, mas também por Júnior, Petkovic e até por outros grandes cobradores de falta não tão geniais, mas eficientes, como Renato Abreu.

Por tudo isso, quando a bola chutada por Andreas Pereira triscou na trave e no travessão e beijou a rede do Maracanã, o urro da torcida não somente no estádio, mas em todo o país, teve ares de exorcismo. Parecia haver um feitiço, um sapo enterrado no Ninho do Urubu a amaldiçoar todas as cobranças de falta nos últimos três anos. E o belga/brasileiro que veio do Manchester United o desencavou.

David Luiz é o nome mais badalado da última janela de transferências do rubro-negro, mas o grande reforço do Flamengo nesse meio de temporada é mesmo Andreas Pereira. Que baita jogador! Talentoso, versátil, raçudo e dono de um chute mortal que já tinha possibilitado um gol (de Michael) no rebote de uma cobrança de falta, na partida contra o Fortaleza, e acertou as traves inúmeras vezes (contra o Juventude foram mais duas).

Muitos torcedores açodados já querem compará-lo a Gerson. Recomendo calma. O atual jogador do Olympique de Marselha foi um dos grandes protagonistas das inesquecíveis campanhas de 2019 e início de 2020. Despediu-se com dois títulos brasileiros e uma Libertadores, além de dois carioquinhas, duas supercopas do Brasil e uma Recopa Sul-Americana. Não é pouco. Ao contrário.

Andreas começou a escrever agora sua história com o “manto sagrado”. E começou muito bem. Já é titular absoluto e devolveu ao Flamengo uma arma importantíssima: as cobranças de falta. O que poderá fazer daqui pra frente? A conferir. Mas foi um baita reforço. E um sopro de esperança. Já tem muita gente sonhando com um gol de falta na final da Libertadores…

Missão cumprida

Os reservas do Flamengo cumpriram a missão. Na ausência de titulares do naipe de Arrascaeta, Gabigol, Éverton Ribeiro, Isla, David Luiz e Bruno Henrique (que jogou apenas o primeiro dos três últimos jogos), conseguiram manter o Flamengo na distância que estava do líder Atlético Mineiro. Apesar da difícil tarefa que é descontar esses 11 pontos (ainda que com dois jogos a menos e um confronto direto à vista), o atual bicampeão brasileiro segue vivo na luta pelo tri consecutivo.. Mas o foco principal continua a ser a Libertadores e o Mundial. E não pode ser diferente.

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