Abel Ferreira tem o respeito e a tolerância que faltam para Ceni
Abel Ferreira tem o respeito e a tolerância que faltam para Ceni
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LANCE: Luiz Gomes

Não foi uma boa semana para os dois melhores times do país. O Flamengo perdeu para o Vasco. Tudo bem que o jogo não tinha a menor importância, nem para o Carioquinha. Foi quase um treino de luxo. Mas, parafraseando aquela história de Brasil e Argentina, perder é sempre ruim, perder para o Vasco é muito pior.

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Já o Palmeiras deixou escapar, outra vez nos pênaltis, o título da Recopa Sul-Americana. Desde a conquista da Libertadores do ano passado, diante do Peixe, foi a terceira decisão perdida da mesma forma – considerando decisivo também o jogo contra o Tigres no Mundial do Catar. De quebra ainda tropeçou diante do rival Tricolor em pleno Allianz Parque, ainda que com um time que não se pode chamar exatamente de titular.

Mas o que tem de novidade nisso que mereça uma coluna, você deve estar se perguntando? Nisso, não tem nada. De fato.

O que chama a atenção nessa história é a diferença na reação das torcidas do Flamengo e do Palmeiras – e principalmente de boa parte da mídia – às derrotas do meio da semana. A tranquilidade que ainda existe em torno da Academia de Futebol é o oposto da ebulição que se vê nos arredores do Ninho do Urubu.

O 3 a 1 para o Vasco fez ressurgirem, menos de uma semana depois que o time ganhou a Supercopa, enfrentando seu principal adversário atualmente, críticas pesadas a Rogério Ceni. A cada dia, a cada jogo, por vezes até quando o Flamengo vence, o técnico tem de se defender, tem de justificar a escalação desse e não daquele jogador, uma substituição, como se tivesse que provar, indefinidamente, que tem tamanho para dirigir o clube mais popular e o elenco mais caro do Brasil.

Rogério não tem de provar nada!

O treinador rubro-negro erra e acerta. Como qualquer outro. Ganhou o Brasileirão, a Supercopa – e ainda há quem diga que o mérito é só dos jogadores – tem o respeito do elenco e, principalmente, tem demonstrado coragem de arriscar como fez ao transformar Arão em zagueiro e Diego em volante.

Rogério tem de ser tratado pelo que é. Pelo trabalho que faz. Já passou da hora de deixar para trás, de uma vez por todas, a ideia de que uma campanha mágica como a de 2019, com Jorge Jesus no comando, vai voltar a acontecer. Esse não pode ser definitivamente o parâmetro para condenar ou absolver treinadores do Flamengo.

Do outro lado da Via Dutra, Abel Ferreira vive uma outra realidade. Se as derrotas e a perda dos títulos para Flamengo e Defensa y Justicia doeram na torcida, se o tropeço no rival são-paulino sempre incomoda, a conquista da Libertadores depois de um jejum prolongado ainda lhe garante crédito. E alivia as pressões e as cobranças desmedidas que pesam sobre os ombros de Ceni. Abel desfruta, enfim, de um respeito e tolerância que Ceni não tem.

Uma coisa, no entanto, une os dois treinadores. É preciso ter resultados. Nos estaduais – mesmo que isso não valha nada – mas principalmente na Libertadores. O começo dos dois times no torneio sul-americano tem de ser impecável. À altura do investimento e da expectativa do torcedor. Deslizes podem custar caro, fazer explodir de vez o caldeirão rubro-negro e abrir a tampa da panela de pressão palestrina.

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